sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Filmes pro final de semana - 01/12

1. Um limite entre nós (Fences, 2016)
Por mais que eu não acompanhe as novidades do cinema como antes, me esforço pra ver um ou outro filme que foi destaque no Oscar. Nesse ano minha ansiedade era pra ver o filme estrelado por Viola Davis e Denzel Washinton, dois nomes que despertam e muito a atenção para qualquer longa. Viola interpreta Rose, uma dona de casa casada com o gari Troy (Washington) há dezoito anos e mãe do jovem Cory, que sonha em ser atleta, a contragosto do pai. Cory tem o mesmo talento para o beisebol que seu pai tivera na juventude, porém Troy carrega uma frustração muito grande com o esporte por não ter conseguido consolidar uma carreira devido ao racismo. Tal discordância é motivo de conflito entre pai e filho, assim como eventos corriqueiros do dia a dia são motivos para outros conflitos na família. E quando junta conflitos e atores excelentes, o resultado não podia ser outro: atuações memoráveis. O filme tem o defeito de ser lento, mas diante de um roteiro tão sólido e de interpretações fantásticas, a gente supera. Viola rainha, o resto nadinha.
Nota: 9,5/ 10
2. Moonlight: sob a luz do luar (Moonlight, 2016)
O grande vencedor do Oscar desse ano - depois daquela gafe com La La Land - merece nosso respeito. Moonlight é um filme sóbrio, denso, pesado. Acompanha três momentos da vida de Chiron, primeiro a infância (com atuação de Alex Hibbert), marcada pelo bullying, depois a adolescência (assume Ashon Sanders) repleta de bullying, problemas com a mãe viciada em crack e a questão da auto descoberta, e por fim a idade adulta (interpretada por Trevante Rhodes), quando, agora com o nome Black, ele chefia o tráfico local. O filme é muito bom, apesar de ter uns defeitos como falhas no enredo, que não é tão coeso como se espera; além disso ele peca por não se aprofundar o suficiente nas angústias de seu protagonista. Beleza, o cara é fechado, reservado, mas o filme não deve fechá-lo para o espectador. Falhas à parte, tem o mérito de tocar temas como racismo, pobreza, sexualidade e preconceitos de uma forma bem sensível, leve, sem ser superficial ou clichê.
Nota: 9,0/ 10
3. Nise: O coração da loucura (2016)
Sem dúvida um dos maiores sucessos do cinema nacional do ano passado pra cá, Nise mostra a vida profissional da psiquiatra Nise da Silveira, pioneira da reforma psiquiátrica muito antes da reforma acontecer. Nise (Glória Pires) é contratada pelo Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, onde atrocidades, então consideradas modernos tratamentos, eram cometidas, tais como eletrochoques e lobotomias. Por se opor a tais condutas, Nise é transferida para o setor de Terapia Ocupacional, onde alguns pacientes faziam trabalhos de limpeza. A médica começa um trabalho árduo utilizando pintura, outras formas de arte e também a presença de cachorros para estimular a socialização e a comunicação de seus pacientes. Os resultados são ótimos, mas ela ainda é vista com bastante preconceito por seus colegas que seguiam a psiquiatria clássica e violenta. E claro, ela precisa enfrentar o machismo, já que era a única mulher psiquiatra do hospital (e havia sido a única mulher a se formar na faculdade, ao lado de 156 homens). Filme muito bacana que trata de um tema tão importante e tão pouco debatido pelo grande público, que é a saúde mental.
Nota: 9,0/ 10
4. Dúvida (Doubt, 2008)
Nova York, 1964. Numa tradicional e rigorosa escola católica do Bronx, a diretora, irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), controla com mãos de ferro a educação de seus alunos. A igreja é vinculada à igreja local, e consequentemente o pároco padre Brendan Flynn (Phillip Seymour Hoffman) também tem algum poder na administração escolar, além de dar aulas de educação física. A partir de um comentário feito pela irmã James (Amy Adams) sobre o excesso de atenção dada pelo padre ao único aluno negro da escola, Donald Miller, a irmã Aloysius começa uma verdadeira cruzada buscando a verdade por trás do padre, cujo comportamento liberal irrita a conservadora freira. Além do drama denso e muito bem elaborado, o filme é sustentado pelas excelentes atuações de seus três protagonistas, ambos os três indicados ao Oscar, e de quebra traz um fator adicional: Viola Davis, na época não muito conhecida, que aparece menos de dez minutos do filme mas é responsável por uma cena excelente junto a Meryl Streep (aliás, o trabalho de Meryl aqui é um dos que mais gosto na carreira dela) e também foi indicada a melhor atriz coadjuvante.
Nota: 8,5/ 10

5. Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes, 1948)
Ô coisas lindas são esses filmes antigos restaurados. Deus abençoe as fundações e os grandes estúdios que trabalham recuperando filmes para que não se percam no tempo, como metade de todos os filmes feitos antes de 1950. O primeiro filme restaurado que assisti foi Os Sapatinhos Vermelhos, a maravilhosa história de uma garota, Victoria (Moria Shearer) que por ter parentesco com a aristocracia inglesa teve de dar duro para mostrar seu valor no ballet, em especial para o diretor Boris Lemontov (Anton Walbrook). Quando enfim consegue a atenção do brilhante e exigente diretor, ganha o papel principal no novo espetáculo do grupo, Os sapatinhos vermelhos, baseado no conto de Andersen, sobre uma garota que calça sapatilhas mágicas e dança até morrer de exaustão. Um filme sobre amor, ciúmes e dedicação extrema que é muito belo e pra mim é um dos melhores filmes de dança já feitos.
Nota: 10

Luís F. Passos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

New Orleans - where the blues was born

Do you know what it means to miss New Orleans?
and miss it each night and day...
I know I'm not wrong, this feeling is gettin stronger
the longer I stay away

Das gratas surpresas que a internet nos traz, filme sempre é uma boa. Ao longo dos últimos anos em que venho me dedicado a apreciar o cinema (infelizmente cada vez menos), não foram raras as vezes em que descobri filmes através de blogs, redes sociais ou mesmo pelo YouTube. Sim, YouTube! E aqui temos um exemplo. Sou grande fã do jazz, apesar de meu pouco conhecimento a respeito. E entre uma música e outra descobri que Louis Armstrong e Billie Holliday, dois titãs da música do século XX, estrearam um filme nos anos 40 sobre a origem do blues e do jazz, embalado por canções incríveis.
O ano é 1917 e estamos na pomposa cidade de Nova Orleans, onde a jovem Miralee Smith (Dorothy Patrick) chega para realizar os planos de sua família de transformá-la numa estrela da música clássica. Miralee tinha muito talento para a ópera e logo consegue a cooperação de um experiente maestro da cidade, Henry Ferber (Richard Hageman), que aceita dirigir o concerto da moça. Mas apesar de sua devoção à música clássica, Miralee se encanta pelo estilo de música que sua empregada Endie (Billie Holliday) vive cantarolando e depois de muita insistência, Endie a leva para o subúrbio da cidade, no animado e mal falado distrito de Storyville, mais especificamente, à rua Basin. Conforme dito no filme, são 38 quadras de corrupção, poluição e degeneração - com um pouco de exagero, claro. Este submundo é onde se concentram casas de jogo, bares, prostíbulos e toda a sorte de pessoas, além concentrar boa parte da população negra.
Na rua Basin, Miralee encontra Nick Duquesne (Arturo de Cordova), jogador profissional que ela havia conhecido quando chegou na cidade. Não é difícil perceber que a moça rica se apaixona por Nick, assim como se apaixona pelo blues que Louis Satchmo Armstrong (interpretado pelo próprio) e sua Happy Dixie Band tocam, improvisando músicas com um excepcional talento. A partir de então, o filme segue um caminho bem clichê: a moça rica e bem nascida apaixonada pelo dono do cassino, o belo casal sofrendo preconceito, bem como o blues é discriminado pela alta sociedade e pelos músicos mais conservadores.
Do you know what it means to miss New Orleans
When that's where you left your heart
And there's one thing more...I miss the one I care for
More than I miss New Orleans
New Orleans (1947) é, por seu enredo,um filme bem básico. Uma história simples, sem muitas reviravoltas ou surpresas. No entanto, vale muito a pena assistir por se tratar de um filme sobre a origem do blues e do jazz estrelado por duas das maiores vozes desses estilos: Louis Armstrong e Billie Holliday. As vozes inesquecíveis dos dois embalam o filme em músicas que se tornaram conhecidas como Do you know what it means to miss New Orleans ou The blues are brewin, ou mesmo outras mais simples que não chamam tanto a atenção. E sim, a música é o maior destaque do filme. Digo isso porque o casal de protagonistas, Nick e Miralee, não tem carisma o suficiente para roubar a cena, e claro, porque a história é bem básica, nada de excepcional - o excepcional aqui é a música e quem a canta. "Afinal, Luís, presta ou não?" Presta, gente. Eu que sou chato mesmo.

Nota: 9,5/ 10 [graças à música]

Luís F. Passos

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Rock’n roll – o tragicômico processo de envelhecer


Tenho certeza absoluta que Rock’n roll (2017) é tudo que não se espera do tradicional estilo cinematográfico francês. Sendo assim, é uma grata surpresa ver frescor numa indústria acostumada a seus moldes. E esse frescor vem em forma de uma comédia satírica e, em sua grande parte, completamente bizarra, mas sem deixar nunca de transmitir sua mensagem: como é difícil envelhecer.
Guillaume Cannet encarna um tipo de persona vivendo o próprio ator Guillaume Cannet no meio de uma forte e irreversível crise de meia idade quando, aos 43 anos, é forçado a perceber o quanto sua vida estava “sem graça”. Mais de 40 anos, cabelos brancos inesejados, corpo fora dos padrões, hobbies entediantes e vivendo uma vida previsível de casado com compromissos conjugais e a necessidade de cuidar do filho. A vida é um tédio e envelhecer é um processo não apenas chato como também inadmissível. Como aceitar que os anos de glória passaram tão rápido e que Guillaume saiu do frescor da juventude e da ampla diversidade de papéis para atores jovens e se tornou um homem sem graça e pouco atraente? Um homem que não captura – e que, de certa forma, nunca capturou – o espírito e a atitude livre e descolada do rock? Somado a tudo isso, ainda há a presença inevitável da esposa, Marion Cotillard (vivida por Marion Cotillard), uma atriz séria que não deixa de ser requisitada para seus trabalhos competentes e dignos de premiação.
Rock’n roll é um filme divertidíssimo, mas sua mensagem é bastante pertinente em nossa sociedade, especialmente no meio artístico e na indústria cinematográfica, acostumada a usar e abusar de um artista ao máximo enquanto este está no seu “auge” e, quando não lhe é mais conveniente, descartá-lo ou colocá-lo em papéis e opções de trabalho limitadas que o estereotipam como um tipo de personagem tendo como base apenas a sua idade. O limiar entre ser a namorada e ser a mãe do protagonista, por exemplo, é bastante tênue, sendo necessários apenas alguns aninhos. Apesar de ser um processo mais cruel entre as atrizes, Rock’n roll mostra que este é um problema enraizado na indústria para ambos os gêneros e que leva pessoas talentosas a se subjugarem a medidas drásticas numa tentativa patética de retomar uma glória que jamais terão de volta. O filme também critica de maneira satisfatória o culto à juventude de um modo geral. Um aspecto muito positivo do filme é que a transformação física e psicológica que Guillaume inicia – a qual seus amigos, colegas de trabalho e esposa apenas conseguem assistir atônitos enquanto o vêem se ridicularizar – é a mais completa possível e de uma bizarrice embaraçosa. Apesar de ter um tom extremamente cômico, é impossível não perceber o quão triste e deprimente é tudo aquilo e o quão fragilizado psicologicamente Guillaume está para se colocar desta maneira, abdicando de tudo em sua vida em nome de um ideal inalcançável. É uma luta constante de uma guerra perdida em busca de ser jovem para sempre e os resultados são humilhantes.  Para reforçar ainda mais sua idéia central, Rock’n roll ainda reserva uma reviravolta deliciosa no final, que aumenta em muitos pontos um inesperado lado romântico do filme.
Guillaume Cannet e Marion Cotillard estão sensacionais em seus papéis, fazendo piada com eles mesmos o tempo todo. Para ser melhor, Rock’n roll só precisava ser mais curto, visto que em diversos momentos do terço final o filme se arrasta de maneira desnecessária. Não é algo que atrapalha muito, mas quebra o ritmo e adiciona algumas situações que não são essenciais para o entendimento geral da trama, que nem trazem momentos muito marcantes em si e são bastante caricatas num sentido já meio forçado. Fora isso, Rock’n roll é divertido, ousado, incansável em sua maneia de não se levar tão a sério e muito recomendável para uma boa sessão de cinema.
PS: é fato que Guillaume Cannet é a alma do filme, mas queria frisar que Marion Cotillard segue incansável na sua função de ser sempre ótima. Impressionante.

Nota: 8/10

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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Filmes pro final de semana - 01/09 - Especial Grandes frases

1. Apocalypse Now (1979)
Não há filme de guerra que se compare a Apocalypse Now, nem mesmo Kubrick ou Oliver Stone chegaram perto. O capitão Willard (Martin Sheen), das Operações Especiais do Exército recebe a missão de matar o coronel Kurtz (Marlon Brando), oficial brilhante que enlouquecera e desertara para criar no Camboja uma sociedade bizarra em que é adorado como um deus e mata sem piedade. Na viagem, Willard vê a verdadeira face da guerra e seus efeitos nas pessoas - o medo, a loucura, o horror. Depois de uma epopeia para descer o Vietnã vivenciando coisas que chegam a ser bizarras, como a "Cavalgada das Valquírias" em que um coronel surfista (Robert Duvall) distribui morte pelos ares e se delicia com o cheiro de morte e destruição, Willard enfim chega ao Camboja e vê sua vida mudada pelo que tem de enfrentar para terminar sua missão. Um final ambíguo e perturbador para a mais fiel das histórias sobre a Guerra do Vietnã.
Frase memorável: "Adoro o cheiro de napalm pela manhã".
Nota: 10
2. Gata em teto de zinco quente (Cat on a Tin Hoof, 1958) 
Um clássico cheio de diálogos tensos, a maioria entre o casal Maggie (Elizabeth Taylor) e Brick (Paul Newman), jogador de futebol americano entregue à bebida após um incidente no trabalho envolvendo um amigo - coisa que não é totalmente esclarecida e que dá brecha para a suspeita de um caso gay. E por que tanta briga entre Maggie e o esposo? É porque Brick simplesmente despreza a mulher, assim como toda a família, em especial o pai, "Big Daddy" Harvey (Burl Ives), com quem nunca teve boa relação. Bid Daddy está com câncer, não há perspectiva de cura e se preocupa com a possibilidade de deixar toda sua fortuna para o filho mais velho, Gooper, que é uma lesma e casado com uma mulher gorda e chata, e tem vários filhos gordos e chatos. A tensão entre Brick e Maggie e Brick e Big Daddy abre espaço para discussões diálogos brilhantes - afinal, o filme é baseado numa peça de Tennessee Williams, influente dramaturgo da Broadway. Também chama a atenção as espetaculares atuações de Paul Newman e Liz Taylor e claro, a beleza inesquecível da atriz.
Frase memorável:  "Nós não vivemos juntos, apenas dividimos a mesma jaula"
Nota: 9,5/ 10
3. Uma rua chamada pecado (A streetcar named desire, 1951)
Desejo e loucura. Duas palavras que descrevem muito bem a potência desse clássico marcado por personagens à flor da pele e interpretações monstruosas de quatro atores de duelam com ferocidade em cena para ver quem mostra mais força. São eles: Karl Malden (vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante), Kim Hunter (vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante) e, principalmente, dois dos maiores nomes do cinema mundial, Marlon brando (indicado a melhor ator) e Vivien Leigh (vencedora de melhor atriz) como uma das personagens mais ricas não apenas do cinema, como do teatro (esta obra é baseada numa peça homônima de Tennessee Williams). As relações intrincadas de atração e repulsa entre essas personagens são o motor deste intenso e inovador clássico. 
Frases memoráveis: "Sempre dependi da bondade de estranhos" e "STEELLAAAAAAAAA!"
Nota: 10
4. Crepúsculo dos Deuses (Sunset boulevard, 1950)
Crepúsculo dos deuses é uma grande crítica à própria indústria do cinema e do entretenimento, um mundo que pode num momento elevar uma pessoa ao céu e, em questão de minutos, lançá-lo no total ostracismo quando não lhes é mais conveniente. É isso que ocorre com a Norma Desmond interpretada por Gloria Swanson. Uma musa do cinema mudo largada no esquecimento após o advento do cinema falado e que sofre com sua loucura e suas obsessões ao mesmo tempo em que alimenta fantasias megalomaníacas de uma volta ao estrelato que jamais ocorrerá. O roteiro de Wilder é fantástico. A forma como amarra as diferentes circunstâncias que culminam para o grande final, que é revelado já no início do filme, é de uma inteligência incrível. O filme é ácido, maldoso e as coisas se desenrolam de uma maneira ironicamente cruel para todas as personagens. Wilder não se importa de vê-las sofrer e as castiga pelos seus erros.  Filme não só obrigatório como essencial para os amantes do bom cinema.
Frase memorável: "Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos".
Nota: 10
 5. ...E o vento levou (Gone with the wind, 1939) 
Tan tan tan taaan... A música tema da personagem Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) é quase tão icônica quando a heroína, uma das mais queridas figuras de todo o cinema. Scarlett é filha de um rico fazendeiro da Geórgia que vê seu mundo virar ao avesso com o início da Guerra Civil (Guerra de Secessão). A moça, que tinha dezenas de admiradores aos seus pés e era apaixonada por Ashley Wilkes vê seus fãs irem para a guerra e seu amado se casar e também ir para a luta. Ao longo de quatro horas de filme, vemos as mudanças de Scarlett: de rica à pobre, de dondoca a mulher forte; de ingênua a ser capaz de matar para proteger a si e a sua família -versatilidade mostrada graças ao enorme talento de Vivien Leigh, que fez dessa uma das maiores atuações vencedoras de Oscar. Do outro lado da história, o cafajeste Rhett Butler (Clark Gable) apaixonado por Scarlett e que tem um enorme coração por trás da cara de canalha, que luta pelo coração da jovem, teimosa e ambiciosa O'Hara. Uma dupla que o mundo vê e ama há mais de setenta anos.
Frase memorável: "Frankly, my dear, I don't give a damn" (Tem que ser em inglês senão perde o efeito)
Nota: 9,5/ 10


Bônus: De pernas pro ar (2010)
Em defesa das comédias nacionais, vamos falar desse filme que todo mundo viu, mas não custa nada rever.  Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva cuja carreira brilhante contrasta muito com seu casamento. Seu marido João (Bruno Garcia) reclama da falta de atenção à família e também da falta de sexo. A vida (aparentemente) sob controle dá uma reviravolta quando, no mesmo dia, ela perde o emprego graças a uma confusão de caixas e João sai de casa, pedindo um tempo na relação. É depois de se aproximar da sensual vizinha Marcela, dona de uma sex shop decadente, que Alice encontra novas ideias para reestruturar sua vida profissional e também pessoal, derrubando vários tabus a respeito de sexo. Claro que o filme apela muito para as cenas engraçadas relacionadas a  situações e  produtos eróticos, mas também tem um lado romântico bem bonito, embalado pelo som de Tim Maia.
Frase memorável: "Às vezes eu acho que o mundo é uma imensa suruba e eu não fui convidada".
Nota: 8,0/ 10

domingo, 20 de agosto de 2017

Jackie – ao lado de todo grande homem, uma grande mulher



Produção de 2016 do chileno Pablo Larrain, responsável pelo excelente No, Jackie traz os dias que sucederam o assassinato do presidente Kennedy em 1963 pelo ponto de vista de outra pessoa extremamente importante para a história do século XX: Jackie Kennedy, sua esposa, aqui vivida por Natalie Portman. O filme transcorre desde o assassinato do presidente em si até o período de mais ou menos uma semana após o ocorrido, dias nos quais Jackie tinha como responsabilidade a organização do velório e sepultamento do marido, além de uma entrevista para a imprensa numa tentativa final de tentar manter a imponência e importância do breve império do casal que ruiu de maneira tão trágica, repentina e aos olhos de milhões de pessoas em todo o mundo. Além da grande responsabilidade, Jackie deve fazer tudo isso com o peso do luto, do remorso, da incredulidade e do sofrimento pela experiência traumática e a drástica mudança em sua vida. 

Por si só, Jackie já é um filme interessante só por sua proposta. Raramente temos uma oportunidade tão boa de observar um pouco a vida nos bastidores da história. Mesmo tendo estado no centro de um furacão político do momento em que John Kennedy assumiu a presidência até o momento em que foi atingido pela bala, Jackie sempre ocupou uma posição secundária, como uma simples coadjuvante que servia muito mais como um modelo de moda e comportamento feminino do que como uma figura de importância política. Eternamente famosa por sua elegância, bom gosto e dignidade, em Jackie vemos um lado mais profundo da primeira dama e descobrimos o quão intelectual, corajosa e forte aquela mulher realmente é. Suas aflições, sua resistência e a maneira como se impõe com firmeza enquanto tudo desmorona é admirável. Coroando tudo, temos a atuação perfeita (não tem outro adjetivo mesmo) de uma Natalie Portman em seu melhor trabalho junto à Cisne Negro. Através de suas expressões, conseguimos captar toda a complexidade e confusão de sentimentos que passam pela cabeça de Jackie e sentir todo seu poder independente do quão adocicada seja sua voz e o quão delicada seja sua aparência.

Nota: 9,0/ 10

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